sexta-feira, 14 de maio de 2021

10a. Edição

ESTRADAS RURAIS: UMA QUESTÃO DE “ESCÓRIA”?

 Publicada no Facebook em 14/05/2021

 


A SENTINELA recebeu importantíssima informação que merece urgente conhecimento pela população de Baependi, principalmente pelos moradores e usuários das estradas rurais.

Em mais uma de suas inserções midiáticas autopromocionais (pelo menos agora sem aposição de nome e logomarca), o Prefeito anunciou que pretende replicar no município a experiência de Itamonte na utilização de “escória” de minério de ferro na recuperação e conservação de estradas rurais.

A SENTINELA conversou com um renomado engenheiro de minas, geólogo, hidrogeólogo e professor universitário, precursor da técnica do “pavimento flexível” no país, que esclareceu, antes de mais nada, que a escória de minério de ferro não se confunde com “rejeitos” do mesmo mineral. Afirmou que se essas “escórias” contiverem “acidez”, enorme é o risco de contaminação do lençol freático e que somente a testificação prévia do material assegurará proteção ao meio ambiente.

Por isso, de acordo com o profissional, estudos atualizados de engenharia recomendam, como medida ambientalmente sustentável, a utilização de rejeitos minerais “estéreis” e “marginais” de ferro. 

Supondo-se que o Prefeito tenha sido mal orientado no assunto e se disponha a melhor examiná-lo, de onde são retirados esses rejeitos? De barragens. Depois da tragédia de Brumadinho, grandes mineradoras querem se desvencilhar rapidamente desse passivo ambiental. 

A solução é doá-lo, certo? Errado! Estima-se que a tonelada do rejeito “de qualidade” esteja orçada em US$ 200,00 (duzentos dólares). A lógica neocapitalista “sugere”, portanto, a venda desse produto descartável cujo emprego em pavimentação requer a observância de um cuidadoso e complexo preparo físico-químico.

Surge então outra pergunta: Baependi possui recursos em caixa para a compra desses rejeitos tecnologicamente modificados ou será “agraciado” com “doação” de um material de valor econômico apreciável? Num quadro de recessão, dificilmente uma mineradora idônea praticaria esse gesto samaritano...

Admitindo-se que o material adquirido ou “presenteado” seja de qualidade, os rejeitos não podem simplesmente ser despejados nas estradas e “patrolados” por máquinas da Prefeitura. A técnica do “pavimento flexível” segue normatização técnica do DNIT, preconizando-se que as estradas sejam previamente submetidas a raspagem com abertura de sulcos de 5 a 6 cm para acomodação da camada mineral. Tratando-se de uma atividade especializada, o serviço deve ser executado por construtoras com expertise em pavimentação de estradas vicinais.

Segundo ainda a autoridade consultada, um serviço equivocadamente realizado ocasionará prejuízos ao município, pois o rejeito de minério de ferro é um “material corrosivo”, que, se não aplicado adequadamente, pode ser carregado pela chuva, provocando erosão em rios e ribeirões e assoreando cursos d’água. Nas palavras do expert, um serviço que não pode ser feito na “orelhada”!

Fica o alerta!!!

A boa gestão administrativa sabe distinguir “eficiência” de “eficácia”. Não basta ao administrador, sobretudo ao gestor público, ser “eficiente”, fazendo a “coisa certa”. A "ação eficaz" pede que se faça o "certo” da “melhor” maneira possível. Apenas informações fornecidas por profissionais abalizados, manuseadas adequadamente, e, com transparência, pavimentam a estrada da mudança. A sobra é só escória.

 

      A   SENTINELA    

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