REFORMA ADMINISTRATIVA
(“quinquênios” e Ginásio Montserrat): um debate acertado pelo motivo errado
Foto: JornalEscolaMontserrat/
A omissão carece de melhor explicação, principalmente porque a conclusão que se extrai das duas últimas “lives” do Prefeito é a de que os temas se inserem no bojo de uma “Reforma Admin
istrativa” que não resulta de um projeto de governança, mas de protagonismo do Ministério Público.
istrativa” que não resulta de um projeto de governança, mas de protagonismo do Ministério Público.
No tocante aos “quinquênios”, o equacionamento do tema foi indevidamente transferido para a promotoria, que não é Órgão de consulta da Prefeitura e não tem competência para formulação de política pública. Bastava que o Prefeito, se assim quisesse, interpretasse e aplicasse a Lei Orgânica Municipal como recomendada pelo Tribunal de Contas do Estado, tornando desnecessário o envio da matéria para deliberação dos vereadores (a menos que não se tenha querido assumir os ônus da decisão).
Estranheza maior causou a revelação feita pelo Prefeito de que o mesmo Ministério Público “impusera” reforma administrativa ao Município e que, consequentemente, a Secretaria de Educação sugeriu a mudança do Ginásio Montserrat para as dependências das escolas estaduais “Alfredo Catão” e/ou “Wenceslau Braz”.
Como assinalado, é pouco crível que o Ministério Público tenha determinado tal providência se não lhe cabe ditar políticas públicas. Mais provável é que o Órgão tenha instado o Executivo a promover medidas pontuais. A divulgação do documento seria elucidativa.
E mesmo que surpreendentemente tenha havido uma ultra-atividade do MP, devem os munícipes aceitar a constatação de que o Executivo não possuía projeto de reforma administrativa e que só passou a tê-lo depois que instado pelo (a) promotor (a)?
A verdade é que já transcorreu tempo suficiente para que se perceba que a atual Administração não conta com Plano de Governo, resolvendo assuntos no “varejo”, à medida que aparecem. Ocorre que alguns desses enfrentamentos são mais “sensíveis”, não se comparando com recapeamento de ruas, substituição de lâmpadas e construção de escadarias, por exemplo.
O Ginásio Montserrat, mesmo se tratando de um serviço estadual, presta, ao longo de várias décadas, relevantes benefícios à população, merecendo mais atenção e cuidado por parte de nossos dirigentes.
A SENTINELA entende que a mudança de local de funcionamento da escola estadual deveria ter sido objeto de prévio e amplo debate na sociedade baependiana (não “baependiense”, com licença, Ministro Levenhagem), discutindo-se com profundidade, para ficar num único aspecto, as vantagens e desvantagens dessa modificação se, como observado, a necessidade de enxugamento e corte de despesas não existia, para o Executivo, antes da manifestação do Ministério Público.
Que se faz necessária uma reforma administrativa municipal não há dúvidas. Entretanto, deveria ter acontecido pelo motivo certo: planejamento. Não se justificam tantas Secretarias (“Secretaria de Esportes” em plena pandemia?). Cargos comissionados pedem preenchimento preferencial por concursados; jamais por recrutamento amplo amparado em amizade ou interesses outros. E, quando os ocupantes são gravitados “de fora”, o mínimo que se espera é que possuam idoneidade e experiência comprovadas. O mesmo se diga em relação aos (muitos) contratados, alguns dos quais sem nenhum perfil para a função, como é o caso de fiscal de saúde que realiza a visitação de casas para controle da Covid-19 e que inacreditavelmente difunde o negacionismo da vacinação.
Por isso, a afirmação do Prefeito de que somente ele “teve peito” para resolver o “problema do Ginásio” não merece nenhum crédito. Se a reforma administrativo-educacional passava por isso, deveria ter sido anunciada antes. Se não o foi é porque provavelmente não foi intuída. Sinceridade institucional vem pronta. Não se constrói. Nem reforma.
