sábado, 24 de julho de 2021

 

 
COMERCIANTES, S/A E SOS
 
 
Registra-se que Baependi em 1956, por ocasião do seu centenário de elevação à cidade, possuía um comércio pujante e progressista. Um número superior a cem estabelecimentos funcionavam no município cobrindo uma variedade de segmentos, desde indústrias e fábricas de calçados e massas alimentícias, passando por curtume e laticínios, incluindo empresas de capitalização e alfaiatarias. Poucos têm conhecimento, mas chegamos a contar até com um aeroclube. 
 
Muita coisa aconteceu e “desaconteceu” daqueles “Anos Dourados” para cá. Paulatinamente fomos “encolhendo”. Nossa Comarca diminuiu de tamanho. Juiz e Promotor não estão domiciliados na localidade. Delegado, idem. Perdemos o Banco do Brasil. O cinema foi desativado. A maior empregadora do município passou a ser a Prefeitura. Para se fazer justiça aos fatos, o que cresceu nas últimas seis décadas foram farmácias, bares, igrejas e, é claro, a poluição sonora. Sintomas de uma população “doente”, desiludida e sem esperança na (sua) terra?
 
Difícil debitar a estagnação (senão atraso) à conjuntura econômica estadual e federal quando se percebe que Cruzília, durante o mesmo período, “galopou” (ah, deixamos escapar o título de “Berço do Mangalarga Marchador” para eles!) em desenvolvimento. 
 
Um exercício de humildade se faz, então, necessário. 
 
Baependi, atualmente, é um município “pobre”. E não é apenas à indigência do nosso PIB a que se refere. Padecemos também de “pobreza de ideias e criatividade”, principalmente por parte da nossa elite empresarial e classe política. Ainda se aposta que, sem infraestrutura rural e ambiental, “jabás jornalísticos” farão despertar o turismo ecológico na cidade... Basta uma ida ao Espraiado do Gamarra para ver o tamanho da ilusão: a placa de preservação da natureza está afixada com pregos numa árvore!
“Administrações criativas” não se confundem com ações marqueteiras. Criatividade, muitas vezes, é revisitar o passado, mergulhando-se na história para permitir que o “novo surja pelas mãos do velho”. Quando “se perde o caminho”, o retorno ao ponto de origem é indispensável.
 
A primeira casa comercial aberta em Baependi foi de “secos e molhados”. Tempos depois, já produzíamos tecidos em teares domésticos. Nos primórdios, a economia baependiana era “comunal”. O afluxo de consumidores e visitantes se intensificou na localidade para consumo desses insumos agropecuários e artesanato. Os pequenos produtores foram, assim, os grandes responsáveis pela alavancagem econômica de Baependi, propiciando o aparecimento de outros estabelecimentos de maior porte. 
 
A SENTINELA acredita, portanto, que o empreendedorismo seja a chave para o resgate da nossa atividade econômica, socorrendo o restante de um agonizante comércio.
Cabe à atual Administração Municipal construir uma política pública, com apoio do CDL, voltada para o pequeno produtor local, tendo como plataforma e eixo fundamental as “feirinhas” da Praça Monsenhor Marcos, projeto importante, mas que precisa ser incrementado para além das manhãs de sábado, de modo a se criar uma cultura de consumo de produtos baependianos por baependianos.
É sabido que o aumento da demanda gera mais oferta; que mais produção desencadeia concorrência; que competitividade provoca melhoria na qualidade do que se produz e que produtos melhores atraem turistas, afora os que já nos visitam pela Nhá Chica. 
 
Se a essas ideias se associarem outras que visem à limpeza das ruas (coleta seletiva de lixo), que implementem a racionalização do trânsito na área central (“zona azul”, proibição de tráfego “pesado” e “calçadões”) e que incorporem práticas comerciais de “bom atendimento”, estarão criadas as condições para que Baependi conheça um novo ciclo de prosperidade. “Novos rumos” estão ao alcance do retrovisor. Uma nostalgia de futuro.
 
 

Foto: Reprodução/Veja SP
 

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