quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

 5a Coluna - A CULPA NÃO É DO “MORDOMO”

 Publicada no blog NEOCONCRETA - em 10/02/2021


"Derrapagem na saída" que surpreendeu a muitos; 

a outros nem tanto...

 


Um dos princípios do bom jornalismo é o de acompanhar a marcha dos acontecimentos, retratando fatos com fidelidade e lhes emprestando uma valoração compatível com a linha editorial anteriormente assumida. A formação de uma opinião pública criticamente consciente integra a missão institucional de todo e qualquer veículo de imprensa.  

A SENTINELA assumiu esse compromisso com você, caro(a) leitor(a), na sua Coluna de estreia, perseguindo uma atuação colaborativa com o resgate da dignidade do “ser baependiano”, tarefa que vem sendo desenvolvida, e continuará sendo, liberta de personalismos e desatrelada de partidos, ideologias e grupos.

A última Coluna iniciou debate sobre políticas públicas para os cem primeiros dias de governo e que não impliquem despesas ou gastos. Na de hoje seria tratada a “mobilidade urbana”. Não mais. Há um assunto urgente que pede passagem.

A SENTINELA é uma defensora intransigente da soberania das urnas e do respeito à vontade popular. A aceitação do resultado de um pleito eleitoral traduz um obsequioso dever que se impõe aos vencidos em nome da lei e da democracia. Faz-se uma única ressalva: a de que os vencedores tenham se comportado com lisura e igual reverência à lei e à democracia na conquista dos corações e mentes dos eleitores. Na disputa por cargos eletivos não se pode tudo porque as “regras do jogo” existem para serem cumpridas.

É sabido que a Justiça Eleitoral, acatando parecer do Ministério Público, desaprovou as contas apresentadas pela Chapa vencedora a Prefeito nas eleições municipais de Baependi por indícios de “Caixa 2” e “Crime contra a Fé Pública”, determinando-se ainda a instauração de inquérito policial contra os envolvidos.

Não é preciso ser profissional da área jurídica para compreender a gravidade do que foi até então apurado. Uma leitura do contundente Parecer do Ministério Público e da Sentença proferida pelo Juiz Eleitoral permite a qualquer leigo(a) entender que a transferência irregular de recursos do Fundo Partidário promovida pela Coligação “BAEPENDI VOLTANDO A SORRIR” em benefício de outros partidos “quebrou” a igualdade de competição que deveria haver com os candidatos a Prefeito e Vereador de outras coligações, contaminando as Eleições e maculando o resultado final do pleito. O que se extrai da decisão é, realmente, elementar: alguns candidatos a vereador que não poderiam receber verba pública de financiamento de campanha de outros partidos se beneficiaram de transferência proibida de recursos em favor de suas candidaturas, “puxando votos”, simultaneamente, para os candidatos a Prefeito e Vice da mesma coligação. Ao final, todos se elegeram. E as Eleições padeceram ainda de “vício insanável”, na fala expressa da promotoria, decorrente de doações de “fontes vedadas” e/ou de origem não identificada, caracterizando, também em transcrição literal, o “famigerado Caixa 2”.

Nesse contexto, é mais do que compreensível que candidaturas adversárias se sintam lesadas e busquem seus direitos (e de seus eleitores) na Justiça mesmo que um cenário sombrio em termos institucionais se descortine. Estamos aprendendo pouco com nossa história. Já passamos por essa incerteza há trinta e cinco anos. Uma renhida disputa judicial por vícios formais em Atas partidárias que deixou feridas abertas em nossa dividida sociedade. E já naquela época não nos deixamos advertir pela exortação de “O Baependyano”, que, em 27 de junho de 1880, quase cem anos antes, dizia:

“(…) hoje infelizmente parece que tende a generalisar-se essa perversão do senso moral em virtude da qual um homem julga licito na vida pollitica aquillo que se envergonharia na privada. É contra a onda corruptora da improbidade politica que tende a invadir todos os lugares do imperio, que havemos sempre de protestar em nome da moral publica e da consciencia humana. Aquillo que é uma falta ou crime na vida privada ou civil não póde passar a virtude na vida politica. Assim sejam nossos comunicipes bem inspirados em suas escolhas para a municipalidade”.

Desta vez a situação é mais constrangedora. Verbas públicas de campanha foram desviadas. Qualquer que seja o desfecho do triste impasse que se anuncia e que nos confronta com nosso passado, que saiamos engrandecidos e amadurecidos do episódio.

Por ora, e até que as investigações eleitorais se aprofundem, cada cidadão e cidadã baependiano(a) deve ao menos se perguntar se se encontram à altura da “reconstrução” do Município autoridades que, na largada de seus mandatos, foram condenadas por desvio de recursos públicos. E caso venham a público explicar o inexplicável, por favor, não responsabilizem o “mordomo”! Pior que políticos ineptos são políticos covardemente ineptos.

Obs.: (*) link de acesso aos documentos destacados no texto, 

bastando clicar para direcionar a outra página.

 

     A   SENTINELA    

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