sexta-feira, 19 de março de 2021

 6a. Coluna - MOBILIDADE URBANA EM TEMPOS DE COVID

  Publicada no blog NEOCONCRETA - em 19/03/2021

 

A "rotunda" da entrada da cidade não é piada de português.

 

 

Soa estranho abordar o tema da mobilidade urbana em tempos de Covid quando o Brasil bate funestos recordes de mortalidade em decorrência da pandemia e a recomendação das autoridades epidemiológicas, sob a forma de apelo trágico, é para que permaneçamos em casa, evitando o máximo de contato social. Os números de contágio em Baependi, muito embora experimentando diminuição nas últimas semanas, continuam merecendo atenção por parte das autoridades municipais, a fim de que construam uma sólida política pública de minimização da cadeia de transmissão.

Entretanto, é preciso manter a esperança por melhores dias. Com os devidos cuidados, sobretudo usando máscaras, distantes de aglomerações e, o mais importante, protegendo uns aos outros numa grande corrente de solidariedade, venceremos o vírus e a estupidez negacionista!  Uma das maneiras de lidar com a angústia do presente é pensar o futuro, propondo e debatendo ideias que possam resultar na melhoria das condições de vida para todos nós baependianos.

Com essas considerações, A SENTINELA entende que um dos graves problemas de Baependi é a mobilidade urbana. Não é preciso muito esforço para percebê-lo. Quem adentra a cidade pelo “Portal” logo se depara com um cruzamento pessimamente sinalizado que faz lembrar a caótica Nova Déli. Muitas vias públicas estão cobertas por paralelepípedos, cujo baixo coeficiente de atrito, sobretudos nas chuvas, atrapalha a circulação de veículos. Bueiros estão entupidos e transbordam em temporais, inundando ruas e calçadas. O Centro, principalmente no entorno da Igreja da Matriz, recebe tráfego pesado de caminhões em ruas estreitas. O comodismo de muitos de nossos comerciantes faz com que estacionem seus automóveis defronte aos próprios estabelecimentos, retirando vagas de virtuais consumidores. Carros e motocicletas transitam em velocidade excessiva e/ou com o som e escapamento em decibéis elevados, desrespeitando o dever de segurança e de sossego. Calçadas mal conservadas e com “meio fio alto" dificultam a locomoção de pessoas, em prejuízo das mais idosas e com deficiência (PcD). Caminhantes, turistas, romeiros e ciclistas não dispõem de acesso seguro à localidade e deslocamento entre bairros. Faltam placas indicativas de pontos turísticos e bairros rurais.

 Uma vez que algumas providências corretivas para os problemas aventados envolvem despesas, A SENTINELA, a exemplo do que sugeriu para a retificação das estradas rurais (que ainda aguardam solução), recomenda as seguintes medidas que podem ser implantadas imediatamente, não demandando custos ou, se tanto, de pequena monta: a) Ressinalização da entrada de Baependi e afixação de placas informativas de pontos turísticos; 2) Proibição de trânsito pesado no entorno da Matriz e Praça Monsenhor Marcos e de quaisquer veículos no mesmo local nos fins de semana e feriados ou construção de “calçadão” no mesmo perímetro; 3) Implantação do “Zona Azul” na área central.

Ações administrativas são transversais, comunicando-se entre Pastas, Setores ou Secretarias. Recentemente, em mais uma inserção de mídia autopromocional (veiculação de imagens e nome da autoridade associados a obra e/ou serviços viola a Constituição Federal, a Lei de Improbidade Administrativa e a Lei Orgânica Municipal, como informou a SENTINELA um advogado, tema que será tratado na próxima Coluna), o Prefeito de Baependi divulgou que o Município adquirira um automóvel 0 km para o Departamento Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural. Como não se pode cogitar de desenvolvimento urbano e rural sem estradas e ruas bem conservadas, a aferição de interesse público na aquisição do automóvel envolvia também aspectos de mobilidade e, diante da pandemia, também de saúde. Confira-se. O valor estimado do carro é de R$ 66.000,00. A Lei federal 14.125/21, publicada no último dia 10, autorizou que Municípios comprem, com recursos próprios, vacinas contra a Covid-19. Segundo informações fornecidas pela AstraZeneca/Oxford, uma dose da vacina deverá ser comercializada no país em torno de R$ 16,75 a unidade. Feitas as contas, se o Município tivesse optado por guardar recursos em caixa para a aquisição da vacina, 3.940 baependianos poderiam estar sendo vacinados nas próximas semanas. É isto: administrar é escolher prioridades!

 

     A   SENTINELA    

 

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