9a. Edição
CEM DIAS SEM PLANO DE METAS
Publicada no Facebook em 07/05/2021
Acolhendo, parcialmente, sugestão feita pela SENTINELA em Coluna de janeiro (*), o Prefeito de Baependi, acompanhado do seu secretariado, compareceu à Câmara de Vereadores para apresentar o “balanço” dos seus primeiros “cem dias de governo”, providência importante de esclarecimento à população acerca do atual quadro das finanças públicas e das ações administrativas realizadas.
Se esse comparecimento, uma questão de “forma”, muito embora obrigatório a todo e qualquer gestor público, merece elogios, o “conteúdo” da apresentação deixou bastante a desejar. Não sendo possível neste espaço abordar integralmente a extensa explanação, A SENTINELA destaca a “fala” inaugural do prefeito, que disse não ter sido “fácil encarar o que nós achamos na Prefeitura”, assumindo a cidade num “estado de abandono” com o maquinário do “Barracão de Obras” e a frota de veículos sucateados. Sugeriu ainda que o “incêndio da Policlínica” não foi acidental, tendo que “engolir” a conclusão do inquérito policial, e acusou a Gestão anterior de haver “apagado” arquivos de diversos departamentos, fato gravíssimo que exige a mais profunda apuração pelas autoridades competentes.
Quanto às estradas rurais, alegou não ser “tão simples” repará-las, dadas as dificuldades apontadas. Vê-se, assim, que, em suas considerações iniciais, o Prefeito de Baependi finalmente reconhece que conduzir um município não é algo que se “tire de letra”, como anteriormente assegurara. Por isso mesmo, para um prefeito que se orgulha de constar do seu currículo a eficiente Gerência de Agências bancárias, causou estranheza não ter apresentado um Plano de Metas para o mandato em curso.
É de se perguntar: há “Gerência sem Objetivos”? Ou por Governança haveremos de nos contentar com a mera retórica de “reconstruir Baependi”, que “Baependi voltará a sorrir” ou que “o nosso projeto é arrumar tudo o que Baependi precisa”? “Fins” sem “meios” é como ter o sino da Matriz de Montserrat sem badalo. Nem se diga que os Secretários que ocuparam a tribuna atingiram esse propósito ao versarem acerca das atribuições de suas Pastas. Nenhuma gestão, sobretudo a Pública, se faz no “varejo”. Imprescindível que haja um “Plano de Metas” que fixe as diretrizes de todas as Secretarias, de modo que atuem transversal e harmonicamente na consecução das finalidades gerais e estruturantes de governança.
Tal como apresentado, tem-se a impressão de que as secretarias municipais são estanques, autorizadas a praticarem “voo solo”, o que se torna mais preocupante quando essa autonomia é confiada a quem não possui a menor expertise na área, como inacreditavelmente admitiu o Secretário de Turismo e Meio Ambiente ao dizer: “(...) eu nunca mexi com meio ambiente, gente. E eu moro em Pouso Alegre”. A SENTINELA ainda destaca a “fala” do vice-prefeito, conclamando os vereadores a agirem como “parceiros” do Executivo.
Deplora-se que se tenha essa compreensão do múnus da vereança.
Vereadores não são “carimbadores” de atos de “prefeitos”. Ao contrário, são “fiscalizadores” do Executivo, investidos, inclusive, de competência para instauração de Comissões Parlamentares de Inquérito – CPI diante de infrações relevantes cometidas por aquele Poder. Provavelmente, o disparate do comentário do vice-prefeito decorra também da própria visão que os vereadores de Baependi fazem de si, uma baixa autoestima que sequer os encorajou a, em sua própria Casa, solicitar publicamente do prefeito explicações sobre a ilegalidade da recente tentativa de fiscais da Secretaria Municipal de Saúde, amparados por PM’s, de fechamento de Sessão da Câmara.
Unindo-se as “falas” do prefeito e vice ao apequenamento dos vereadores, talvez se entenda melhor o porquê de não ter sido apresentado um “Plano de Metas”. Na falta deste, não há metas e resultados a serem fiscalizados, “justificando-se a parceria” que, mandato após mandato, tanto tem prejudicado Baependi, impedindo que conheçamos as respostas para as perguntas “o que fazer?”, “quando?” e “como?” com os recursos públicos. “Parceiros” firmam acordo de vontades. Gestores públicos, ocupantes de cargos eletivos, não têm vontade própria porque suas “vontades” são as da lei que disciplina suas condutas. Sem mais.
A SENTINELA

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